Mova-se
25 de janeiro de 2022
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No ranking de infrações de trânsito, desrespeito sai campeão

Recentemente, a Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM) de Goiânia divulgou relatório com o ranking das infrações de trânsito mais cometidas…

Recentemente, a Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM) de Goiânia divulgou relatório com o ranking das infrações de trânsito mais cometidas ao longo de 2021. Em destaque, além do excesso de velocidade e do desrespeito ao sinal vermelho, estava a infração de transitar em faixa exclusiva dedicada ao transporte público.

Os dados não trazem nenhuma novidade, já que evidenciam sintomas de mazelas nacionais: o excesso de velocidade – comportamento negligente responsável por incontáveis acidentes em todo o país e o descaso de todos nós pelo transporte público.

Muito poderia se dizer sobre a necessidade de investimentos em mobilidade no Brasil, o que é um fato, mas outras causas também podem estar diretamente conectadas ao desrespeito pelo espaço dedicado ao transporte público.
Parte do problema é gerada do desconhecimento dos motoristas sobre a existência das faixas exclusivas ou sobre a importância delas. Em Goiânia a proposta de criação dos corredores exclusivos não é nova, embora nunca tenha conquistado a merecida atenção dos poderes públicos. Sem a priorização por parte de quem governa, não é factível esperar dedicação e respeito de quem é governado.

Outra causa que pode ser atribuída ao fenômeno da quantidade de multas por desrespeito à faixa exclusiva do transporte público é o comportamento (que todos nós manifestamos em algum nível) de menosprezo pelo que é público, em nome do interesse particular.

Longe de ser um adjetivo somente dos goianienses, a alcunha cabe a (quase) todo brasileiro: a mania de atribuir maior importância aos seus interesses e objetivos pessoais em detrimento do interesse coletivo, sobretudo quando existe a possibilidade de tirar alguma vantagem pessoal (como utilizar de uma faixa menos congestionada).

O que vemos no trânsito é apenas um sintoma do acometimento maior: a normose da cidadania. O mal pode ser observado em pacientes que manifestam o desrespeito à lei e a quase certeza da impunidade, a inversão de valores que dá prêmio ao egoísta ou, nos casos mais graves, a recusa em identificar no próximo um semelhante, o que pode levar a comportamentos como desprezo ou preconceito.

Muito pouco estudado pela ciência corrente, a doença ao que parece é transmitida pelo mal exemplo, pela falta da consciência coletiva ou pela terceirização da solução dos problemas comuns. Em casos cada vez menos raros, há a combinação dos agentes patogênicos.

Até onde se sabe, o mal é mais eficazmente combatido quando encontra seu arquirrival: o bom exemplo. Que em 2022, sejamos nós os portadores do antídoto. E que a cura efetivamente inicie.
Alessandro Moura

Alessandro Moura é doutorando em Direito, gestor jurídico do Grupo HP Transportes Coletivos, professor universitário e especialista do Mova-se Fórum de Mobilidade




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